

Nos bastidores da nossa nova collab: um lugar de encontro de diversas comunidades criativas, espíritos destemidos e uma paixão compartilhada por corrida, design e cultura de vanguarda.
Equipe PLEASURES: Cofundador: Alex James (à esquerda) Diretor de design: Henry Chiang (à direita)
Texto: Paul Snyder Fotos: Quinn Dunziellas
Uma gigante suíça da moda esportiva, uma marca ousada de streetwear e uma loja especializada em corrida entram em uma sala em Austin, Texas...
Pode até parecer o começo de uma piada clássica, mas o assunto aqui é sério. A união de forças que conectou as mentes e visões da On, da PLEASURES e da The Loop levou quase dois anos para se concretizar.
“Correr é muito punk rock”, diz Alex James, cofundador da marca de streetwear de Los Angeles, PLEASURES.
A The Loop, fundada por Pam e Ryan Hess, é uma loja de corrida e ponto de encontro da comunidade em Austin (Texas). Com nossa visão única e o desejo de celebrar a comunidade de corredores e corredoras, a On percebeu o potencial dessa parceria inusitada e conectou as duas marcas.
Equipe The Loop: os fundadores Ryan Hess (à esquerda) e Pam Hess (à direita)
Um músico e um público, mesmo que seja de uma pessoa só, já é um show. Da mesma forma, uma corrida matinal solitária pode se tornar um grupo de corrida quando alguém decide se juntar. Nos dois casos, há espaço de sobra para a cultura do “faça você mesmo” deixar a sua marca. “A barreira para começar a correr é super baixa, é só ir para a rua e correr”, acrescenta Alex. “Com a música é a mesma coisa. Se você quer ver uma banda ao vivo, basta ir ao show. Talvez a única barreira seja comprar o ingresso.”
A corrida, assim como a cena punk local, passa a ser uma espécie de refúgio seguro para muita gente que não sabe onde depositar a energia. E correr é uma ótima forma de canalizá-la. “No meu círculo de amizades, várias pessoas que eram do mundo da música agora se dedicam aos treinos e à corrida”, continua Alex. “Ambos os estilos de vida exigem sangue, suor e lágrimas.” O mundo da corrida está cheio de perfis assim, mas ele não é composto só por quem abandonou a carreira na música. Ryan Hess, por exemplo, corre algumas vezes por semana com um grupo de profissionais da área de bares e restaurantes que busca algo além de tomar uma cerveja depois do trabalho. “É uma forma de se manter saudável e fazer amizades, mas também, para muitas pessoas, essa foi uma mudança que salvou suas vidas.”
Tanto no punk quanto na corrida, há um comportamento que beira o fanatismo. Existe uma estética, um jeito próprio de se vestir, uma atitude e um vocabulário que quem é de fora simplesmente não entende, mas quem está dentro se fecha um pouco nesse mundo. Para um certo tipo de pessoa, essa devoção é irresistível.
“Quando você começa a correr, não sabe muito bem onde está se metendo, e aí a comunidade que você escolhe acaba te moldando”, diz Pam. “As pessoas que correm em Austin não são apenas dedicadas. São obcecadas.”
Para se ter uma ideia: em 2023, a cidade de Austin registrou 71 dias com temperaturas acima de 37 ºC. “Você tem que mudar o seu estilo de vida em função da corrida, porque precisa acordar bem cedo e já sair correndo”, diz Ryan.
Quem corre tem a tendência de romantizar as primeiras horas do dia. Atribuímos um significado quase espiritual a um despertador que toca antes de o sol despontar no horizonte. Ainda assim, mesmo para quem está nessa vida há muitos anos, é difícil glamorizar, e até justificar, para a família e amigos, o sacrifício de ir dormir às 20h para acordar cedo no dia seguinte. Em Austin, ninguém julgaria iniciantes por desistir depois de descobrirem o preço a pagar pelo esporte em horas de sono. Mas isso está longe de ser o que acontece por lá...
“Mesmo que você não corra quando se muda para cá, acredite: você vai começar a correr”, afirma Pam. “Não precisa de tanta intensidade, mas todo mundo acaba na trilha de Town Lake. É como uma bola de boliche no centro de um trampolim: tudo vai em direção a ela.”
Essa força gravitacional, esse forte senso de pertencimento, foi algo que Alex também sentiu quando chegou a hora de começar a trabalhar na coleção, após conhecer a equipe da The Loop em 2022.
“A inspiração veio da primeira vez que estive em Austin”, ele relembra. “Foi muito diferente do que eu imaginava. A trilha, a paisagem, o céu incrivelmente azul. Não é o mesmo céu de Los Angeles. Então, decidimos integrar essas cores e dar uma vibe orgânica, mas sem perder o estilo.”
Conforme os conceitos da coleção foram ganhando forma, Alex teve acesso a algo inédito no seu processo criativo: uma dose de precisão e tecnologia suíça, oferecidas pela On.
“A gente não costuma ter acesso ao nível de tecnologia na fase de produção que a On tem”, observa Alex. Novos tecidos, inovações e tecnologia de ponta abriram um leque de possibilidades criativas. “Do tênis às roupas, as costuras, a mistura de materiais... somos uma marca de moda urbana, então é incrível trabalhar com quem é referência técnica em tudo isso”.
Para as equipes perfeccionistas por trás da PLEASURES e da The Loop, ter a On na retaguarda deu a segurança de que qualquer risco que assumissem elevaria a régua para todo mundo. A On não sacrifica a performance nem o estilo", diz Pam Hess. “Busca sempre subir o nível de tudo o que fazem e só oferecem produtos de alta qualidade.
A ideia de perfeição é muito particular. E o que não falta por aí é história de collab que não foi para frente por causa de perfeccionistas que não quiseram dar o braço a torcer e mudar de opinião. Mas não foi o que aconteceu aqui”. “Acho que as três marcas estão sempre tentando sair da zona de conforto e ser as melhores no que fazem. É por isso que a parceria funciona tão bem”, resume Ryan.
Alex, Pam e Ryan concordam: outro grande motivo para a parceria dar tão certo é justamente o fato de a PLEASURES e a The Loop serem tão diferentes uma da outra. E só de essa união existir, já é a prova de como a cena da corrida tem mudado.
“Desde que abrimos a The Loop em 2017, nunca tivemos dúvidas de que 'se vestir bem é se sentir bem'”, explica Ryan. “Aqui, a funcionalidade encontra o estilo. Você tem o melhor dos dois mundos, sem abrir mão de nada.”
Pam completa: "Parece que, de uma hora para outra, a roupa de corrida deixou de ser aquela coisa super nerd, cheia de neon... e nos últimos anos virou algo que você pode usar para sair, de tão bonitas que estão”.
Seja qual for a sua teoria para o fim daquele velho estereótipo da falta de estilo de quem corre, para Alex, "na última década, as redes sociais fizeram todo mundo dar um up no próprio estilo”. A mudança é inegável. As fronteiras entre moda urbana e esportiva estão sumindo.
Como o nosso universo é a corrida, faz sentido que a gente fale tanto sobre como o esporte está na moda. A galera de uma modalidade que antes era vista como meio “cafona” elevou muito o nível do estilo. A recíproca é verdadeira. Hoje tem muito mais gente estilosa correndo, incluindo boa parte da equipe da PLEASURES. Viver o esporte na pele abriu as portas e tornou a entrada no universo das roupas de performance muito mais orgânica, mesmo sendo um território novo.
Mas, como o próprio Alex diz: “A gente não tem medo do novo. Se você não se adapta, fica para trás. É por isso que fazemos projetos assim: para evoluir e colocar nossa marca sob uma nova perspectiva.”
Nesse caso, a luz dessa nova perspectiva é a mistura das lâmpadas fluorescentes com o sol do Texas invadindo as vitrines imensas da The Loop. É um espaço pensado por Pam e Alex nos mínimos detalhes para ser tão convidativo para pessoas experientes na corrida quanto para iniciantes que chegam à loja por causa da estilo urbano da PLEASURES.
É essa mistura de mundos que move a On, a PLEASURES e a The Loop: dar visibilidade para a cultura da corrida e para as comunidades diversas e apaixonadas que vivem isso. “As pessoas que se conectam com a loja viram as maiores embaixadoras da marca”, diz Ryan. E, para isso, quanto mais plural for o perfil dos corredores e corredoras que cruzam aquela porta, melhor.
A coleção materializa essa vontade de quebrar barreiras e criar algo totalmente novo, e a resposta inicial do público já provou que o mercado comprou a ideia.
O projeto foi anunciado com um treino em grupo super descontraído em Paris. “Foi tudo tão incrível que o pessoal comenta até hoje”, diz Alex. "O papo era tipo: 'Pô, isso é diferente, eu não esperava, mas tem tudo a ver, curti'”. Quem participou não estava lá só pela corrida, mas pela conexão. “Muitos amigos meus que têm loja, mas que nem são da corrida, quiseram participar. A energia foi sensacional.”
“Hoje em dia, há lojas de roupa casual, lifestyle, oferecendo produtos especializados para corrida”, diz Pam Hess, cofundadora da The Loop, ”mas nem sempre se vê essas comunidades saindo para correr de fato, o foco costuma ser outro. O fato de termos unido esses dois mundos e feito as pessoas saírem de casa foi a melhor maneira de começar o projeto. Isso mostra exatamente para onde o nosso mercado está indo”.